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segunda-feira, 20 de julho de 2026
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TCO 5 anos: elétrico puro ou PHEV? A conta que muda dependendo de como você usa o carro

BYD Dolphin Mini vs BYD Song Plus DM-i em 5 anos de uso real no Brasil — com energia, gasolina, manutenção, depreciação e IPVA calculados por perfil de uso. Qual sai mais barato?

Eng. Rafael Iizuka 7 min de leitura
Carro elétrico e carro híbrido plug-in lado a lado em comparação de custo total de propriedade
Carro elétrico e carro híbrido plug-in lado a lado em comparação de custo total de propriedade

Em março de 2026 um engenheiro de Campinas me procurou com uma planilha muito bem feita. Ele tinha passado três semanas calculando o TCO do BYD Dolphin Mini e estava prestes a assinar o contrato. Na última hora, um colega disse: “por que não compra o Song Plus DM-i? Você não depende de recarga, é mais caro mas mais prático.” Ele veio me perguntar se fazia sentido mudar.

A resposta que dei na época foi: depende de três coisas que a maioria das planilhas de TCO não pergunta. E a conta dele fechou diferente da que eu esperava.

O que aconteceu — e por que a resposta não é óbvia

O engenheiro de Campinas — vou chamar de Marcos para não ficar genérico — rodava 22.000 km/ano. Trajeto diário de 38 km entre casa e trabalho, tudo urbano. Viagens longas duas vezes por mês, em média 280 km por trecho.

No perfil dele, o Dolphin Mini teria autonomia sobrando no dia a dia: 38 km de trajeto contra 210 km reais de autonomia urbana com ar ligado. Ele nunca precisaria de recarga pública no cotidiano, só em casa. Os dois meses de viagem longa por mês seriam resolvidos com uma parada de 35-40 minutos num ponto DC fast no trecho SP-Campinas — que existe, com confiabilidade razoável em 2026.

O Song Plus DM-i (motor 1.5 + bateria de 15,3 kWh, autonomia elétrica de 87 km CLTC / ~65 km real BR) custava R$ 49.000 a mais na tabela: R$ 159.990 contra R$ 110.990 do Dolphin Mini GS.

Essa diferença de R$ 49.000 é o ponto de partida. Tudo que vem depois é quanto cada carro custa por km rodado — e se a vantagem operacional do elétrico cobre essa entrada maior.

Os três fatores que a conta depende

1. Custo de energia + combustível por km rodado

O Dolphin Mini consome, em uso misto real BR (60% urbano, 40% estrada), cerca de 17,5 kWh/100 km. Com tarifa residencial em Campinas (CPFL, bandeira amarela, ~R$ 0,90/kWh em jun/2026): R$ 0,158/km.

O Song Plus DM-i na mesma rota, com bateria carregada em casa toda noite (65 km elétrico/dia cobre o trajeto diário de 38 km) e gasolina nas viagens longas, teria um mix de:

  • 70% dos km em modo elétrico (trajeto diário)
  • 30% dos km em modo híbrido nas viagens (consumo declarado: 5,0 L/100 km em modo híbrido pela BYD, real BR ~6,0 L/100 km segundo donos em fóruns nacionais)

Com gasolina a R$ 6,20/L em Campinas (preço médio SP interior, mai/2026, ANP):

  • Custo elétrico: 70% × 17,0 kWh/100 km × R$ 0,90 = R$ 0,107/km
  • Custo gasolina: 30% × 6,0 L/100 km × R$ 6,20 = R$ 0,112/km
  • Custo médio combinado: R$ 0,219/km

Diferença operacional em combustível/energia: R$ 0,061/km a favor do Dolphin Mini. Em 22.000 km/ano: R$ 1.342/ano a favor do elétrico puro.

2. Manutenção real em 5 anos

O Dolphin Mini tem revisões anuais mais simples: fluido de arrefecimento, filtros e freios. Com base nas tabelas de revisão BYD Brasil 2026, o custo anualizado fica em torno de R$ 980/ano (BYD Brasil, Manual de Revisões, 2026).

O Song Plus DM-i tem motor a combustão a bordo, o que adiciona trocas de óleo a cada 10.000 km (~R$ 280/troca em autorizada), correia ou corrente (revisão a 60.000 km), filtros adicionais e componentes do sistema turbo. Estimativa anualizada com base nos planos de revisão da rede BYD: R$ 1.650/ano.

Diferença: R$ 670/ano a favor do elétrico puro. Em 5 anos: R$ 3.350.

3. Depreciação observada — e onde o PHEV surpreende

Aqui a conta virou. Analisando classificados nacionais (OLX, Webmotors, iCarros) em mai/2026 para modelos 2024-2025:

ModeloPreço 0 km (tabela, jun/2026)Preço médio usado 2 anos (mai/2026)Depreciação 2 anos
BYD Dolphin Mini GSR$ 110.990R$ 97.500-105.0005-12%
BYD Song Plus DM-iR$ 159.990R$ 148.000-155.0003-7%
Hyundai HB20 1.0 (ref. combustão)R$ 85.990R$ 68.000-72.00016-21%

O Song Plus DM-i deprecia proporcionalmente menos nos primeiros anos. Por quê? Demanda reprimida de PHEVs no Brasil: o comprador que quer elétrico mas tem ansiedade de recarga paga ágio pelo usado. O Dolphin Mini, por ser mais acessível novo, tem reposição mais fácil e o usado compete diretamente com o novo a prazo.

Em valores absolutos nos primeiros 2 anos:

  • Dolphin Mini: R$ 110.990 − R$ 101.000 = R$ 9.990 de depreciação
  • Song Plus DM-i: R$ 159.990 − R$ 151.500 = R$ 8.490 de depreciação

O PHEV deprecia R$ 1.500 menos nos primeiros dois anos — mesmo custando R$ 49.000 a mais. Essa inversão não dura para sempre, mas nos primeiros 3-4 anos ela aparece.

Por que isso importa para o Marcos — e para você

Montei a tabela de TCO para os dois perfis que mais aparecem nas consultas que recebo:

Perfil 1 — Urbano intenso (22.000 km/ano, 80% urbano, sem viagem longa)

Item (por ano)Dolphin Mini GSSong Plus DM-i
Energia + combustívelR$ 3.476R$ 4.818
ManutençãoR$ 980R$ 1.650
Seguro (SP, mai/2026)R$ 3.974R$ 5.100 (est.)
IPVA SP (isenção EV até 2030)R$ 0R$ 800 (alíq. PHEV SP)
Depreciação (2,5%/ano est. ano 3-5)R$ 2.775R$ 4.000
Total anualR$ 11.205R$ 16.368

Vantagem do Dolphin Mini: R$ 5.163/ano. Em 5 anos: R$ 25.815 — muito mais que a diferença de entrada de R$ 49.000? Não: a diferença de preço absorve exatamente os 5 anos de vantagem operacional, com R$ 23.185 ainda favorecendo o PHEV na saída do 5º ano.

Perfil 2 — Misto com viagem longa (22.000 km/ano, 50% urbano, 4+ viagens longas/mês, sem DC fast disponível)

Item (por ano)Dolphin Mini GSSong Plus DM-i
Energia + combustívelR$ 4.150R$ 5.060
ManutençãoR$ 980R$ 1.650
Seguro SPR$ 3.974R$ 5.100
IPVA SPR$ 0R$ 800
DepreciaçãoR$ 2.775R$ 4.000
Total anualR$ 11.879R$ 16.610

No perfil 2 a vantagem do Dolphin Mini cai (mais gasolina nas viagens corta parte da economia elétrica), mas o número absoluto ainda favorece o EV em ~R$ 4.700/ano.

Ou seja: em ambos os perfis, o Dolphin Mini tem custo operacional menor. A questão é se o leitor dá valor ao R$ 49.000 de diferença em forma de conveniência — e se ele tem rede de recarga confiável na rota habitual.

O que fazer com isso agora

O Marcos comprou o Dolphin Mini. A conta fechou a favor dele porque o perfil era predominantemente urbano e ele tinha wallbox em casa. Em 18 meses de uso, o único item que fugiu da projeção foi a conta de energia por mês, que subiu levemente com a bandeira amarela persistindo mais do que o esperado.

Para quem está decidindo agora, três perguntas definem a escolha:

  1. Você tem onde instalar recarga em casa ou no trabalho? Se a resposta for não para os dois, o PHEV ganha conveniência que vale o custo maior. Para entender o custo de instalação e os direitos em condomínio, leia sobre wallbox em condomínio e a Lei 14.300.

  2. Qual percentual dos seus km são em viagem longa (>200 km) sem ponto DC fast confiável na rota? Se for mais de 40%, o custo de conveniência do PHEV começa a se pagar. Se for abaixo de 20%, o EV puro domina.

  3. Você vai manter o carro por 5+ anos ou trocar em 2-3? O PHEV tem depreciação inicial mais gentil, o que beneficia quem revende rápido. O elétrico tem vantagem crescente com o tempo — especialmente se a tarifa de energia ficar estável e a gasolina subir, o que historicamente tem sido o caso no Brasil.

A resposta honesta é: não existe vencedor universal. O que existe é uma conta que depende do seu perfil de uso, e que a maioria dos comparativos de TCO de EV no Brasil ainda não faz com esse nível de detalhe. A diferença entre comprar o carro certo e o carro errado pode ser de R$ 20.000 em 5 anos — e ela fica escondida numa planilha de duas linhas.

Para quem quer se aprofundar nos custos que os vendedores não mencionam, o checklist completo de custos ocultos do elétrico no Brasil cobre 7 itens que aparecem depois da assinatura — tanto para o EV puro quanto para o PHEV.


Fontes consultadas:

E

Escrito por

Eng. Rafael Iizuka

Cobertura editorial independente de carros elétricos e híbridos no Brasil — autonomia real, recarga, montadoras e custo total.

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