Geely EX5 elétrico chega ao Brasil: 413 km Inmetro contra Ora 5 e Yuan Plus
Geely abriu preços do EX5 100% elétrico. Comparo os 413 km de catálogo na mesma régua do GWM Ora 5 e do BYD Yuan Plus — e digo qual versão eu pegaria.
A Geely abriu a tabela do EX5 100% elétrico no Brasil e o número que pula da ficha é 413 km na versão Pro. Repare: é 413 km já no ciclo do Inmetro, não numa régua chinesa. Isso muda completamente a conversa com o GWM Ora 5, que estreou semana passada com 580 km — só que medidos no CLTC. Antes de você anotar qualquer um dos dois na lista de espera, deixa eu colocar os três compactos elétricos da faixa dos R$ 200 mil na mesma régua, porque o anúncio não faz isso por você.
A Geely confirmou que o EX5 elétrico sai com motor de 218 cv e bateria de 60,2 kWh, com autonomia de até 413 km na versão Pro e 349 km na versão Max, números do Inmetro (Webmotors, Geely Brasil). O EX5 também tem a irmã híbrida plug-in EX5 EM-i — falo dela em outro post, aqui o foco é o 100% elétrico. E tem um detalhe estratégico: o EX5 será o primeiro Geely produzido no Brasil, no Complexo Ayrton Senna em São José dos Pinhais (PR), com produção local no segundo semestre de 2026 (Auto+, O Tempo). Isso importa para garantia e peças, e volto nisso lá embaixo.
O que importa decidir antes de olhar o preço
Quando o leitor me manda mensagem perguntando “Geely EX5 ou Ora 5?”, a resposta começa errada se começar pelo preço. Para elétrico no Brasil, a ordem de decisão que eu uso rodando 4 mil km/mês é esta:
- Autonomia real na sua rota — não a do catálogo, a da sua estrada com o seu pé direito.
- Em que régua o número foi medido — Inmetro, WLTP ou CLTC. Comparar régua diferente é o erro nº 1.
- Onde você carrega — tomada de casa, wallbox ou dependência de rede pública.
- Eficiência (kWh/100 km) — define quanto você paga por km e quanto tempo perde no carregador.
- Preço, produção local e garantia — o último critério, não o primeiro.
O ponto 2 é onde quase todo comparativo de internet erra. O Ora 5 anuncia 580 km, mas isso é CLTC, o ciclo chinês — o mais generoso dos três, calibrado para trânsito urbano de baixa velocidade. O Geely EX5 anuncia 413 km, mas isso é Inmetro, a régua brasileira, bem mais dura. Comparar 580 contra 413 desse jeito é comparar quilo com libra.
A tabela na mesma régua
Coloquei os três compactos elétricos que disputam a faixa dos R$ 200 mil lado a lado. Onde o número original é CLTC, apliquei a tradução que uso em todo elétrico que rodo: o CLTC costuma inflar a autonomia entre 30% e 35% sobre rodovia brasileira com ar ligado. A coluna “estimativa minha rodovia real” é projeção de trabalho minha, baseada no que já medi em Dolphin Mini, Ora 03 e iCar — não é número oficial das marcas.
| Modelo | Bateria | Autonomia catálogo | Régua original | Estimativa minha rodovia real, ar ligado |
|---|---|---|---|---|
| Geely EX5 Pro | 60,2 kWh | 413 km | Inmetro | ~300–340 km |
| Geely EX5 Max | 60,2 kWh | 349 km | Inmetro | ~250–290 km |
| GWM Ora 5 (bat. maior) | 58,3 kWh | 580 km | CLTC | ~290–330 km |
| BYD Yuan Plus | 60,5 kWh | 350–380 km | Inmetro | ~270–310 km |
Olha o que acontece quando a régua fica igual: o “580 km” do Ora 5 e o “413 km” do EX5 Pro chegam, na rodovia real, a uma faixa parecida — porque o número do EX5 já partiu de uma medição mais honesta. Quem comprar o Ora 5 achando que tem 250 km a mais de pernas que o EX5 vai descobrir, no acostamento, que a vantagem real é bem menor. E o Yuan Plus, que parece o mais fraco no papel, está na mesma briga quando você normaliza a régua.
Um aviso sobre a versão Max do EX5: ela tem a mesma bateria de 60,2 kWh da Pro, mas autonomia Inmetro menor (349 contra 413). Isso normalmente significa peso extra ou rodas/pneus mais largos comendo eficiência. Para quem viaja, a Pro entrega margem de bateria — e em elétrico, margem de bateria é margem de não passar perrengue.
A produção em São José dos Pinhais muda a conta
Tem um fator que não aparece na ficha técnica e pesa na minha recomendação: o EX5 será montado no Brasil a partir do segundo semestre de 2026, no complexo de São José dos Pinhais (PR), segundo Auto+ e O Tempo. Carro produzido aqui costuma ter rede de peças mais estável e prazo de garantia atendido sem importar componente da China e esperar dois meses. O Ora 5, por enquanto, chega importado.
Não é um detalhe de fanboy — é o tipo de coisa que você só sente dois anos depois, quando precisa trocar um módulo de bateria ou um sensor e descobre se a peça está no estoque do Paraná ou num contêiner. Para quem vai segurar o carro por cinco anos, isso conta tanto quanto autonomia.
Tem ainda um efeito de segunda ordem que poucos comentam: produção local tende a alimentar volume de vendas, e volume de vendas é o que cria mercado de usados líquido. Um elétrico com muitas unidades rodando no Brasil revende melhor do que um modelo raro, porque há comprador de segunda mão e mecânico que conhece o carro. Quando a Geely liga a linha em São José dos Pinhais, ela não está só baixando custo de imposto — está construindo a base instalada que vai segurar o valor de revenda do seu EX5 daqui a três anos. Esse é o tipo de variável que não aparece no test drive e decide boa parte do custo real de ter o carro.
Minha escolha e por quê
Se fosse meu dinheiro, hoje, com o que está confirmado: Geely EX5 Pro 100% elétrico. Três motivos, na ordem que importa para mim.
Primeiro, a régua honesta. O número de 413 km já é Inmetro — eu não preciso descontar uma régua chinesa generosa para saber o que esperar. Trabalho mentalmente com a faixa de 300–340 km em rodovia com ar, e isso é suficiente para a maioria das rotinas urbanas com viagem de fim de semana.
Segundo, a produção local prevista. Carro montado em São José dos Pinhais tende a me dar menos dor de cabeça de peça e garantia ao longo de cinco anos do que um importado.
Terceiro, a versão. Entre Pro e Max, a Pro entrega 64 km a mais de autonomia Inmetro com a mesma bateria — é eficiência de graça. A Max só faz sentido se trouxer item de série que você use de verdade todo dia.
O que me faria mudar de ideia: se o preço final do EX5 Pro vier muito acima do Yuan Plus, que já tem rede consolidada e histórico de revenda conhecido, a conta vira. Por isso preço entra por último — e só depois que os números de autonomia estão na mesma régua.
FAQ
O Geely EX5 elétrico já está à venda no Brasil? A Geely abriu preços e a linha foi lançada; o EX5 100% elétrico chega inicialmente importado, com produção local prevista para o segundo semestre de 2026 em São José dos Pinhais (PR), segundo Auto+ e O Tempo.
Qual a autonomia real do EX5 elétrico? O catálogo informa 413 km (Pro) e 349 km (Max) no ciclo Inmetro. Minha estimativa de trabalho para rodovia brasileira com ar ligado é de 300–340 km na Pro e 250–290 km na Max.
EX5 elétrico ou EX5 EM-i híbrido plug-in? São carros para perfis diferentes: o elétrico zera custo de combustível mas depende de recarga; o EM-i (PHEV) tem autonomia elétrica curta mas roda longe a gasolina. Cubro o EM-i em post separado.
Fontes
- Webmotors — “Geely EX5 2026: preço, versões e ficha técnica” (05/2026)
- Geely Brasil (site oficial) — página do EX5
- Auto+ TV — “Geely fabricará EX5 e mais um carro no Brasil já em 2026” (05/2026)
- O Tempo — “Geely lança EX5 híbrido plug-in no Brasil com produção em 2026” (04/2026)
- Mix Vale — “Geely EX5 EM-i chega ao Brasil com 1.300 km de autonomia por R$ 190 mil” (15/05/2026)
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Escrito por
Carolina Lemes
Cobertura editorial independente de carros elétricos e híbridos no Brasil — autonomia real, recarga, montadoras e custo total.


