Mover libera R$ 3,9 bi em 2026 e Anfavea projeta 450 mil eletrificados
Programa Mover destina R$ 3,9 bi em créditos em 2026 enquanto Anfavea projeta venda de 450 mil eletrificados. Veja o impacto na indústria e no consumidor.
TL;DR
- O programa Mover (sucessor do Rota 2030) libera R$ 3,9 bilhões em créditos tributários em 2026, segundo o desenho aprovado pelo Congresso.
- A Anfavea projetou em maio que o Brasil pode vender até 450 mil veículos eletrificados no ano, contra 224 mil em 2025 — alta superior a 100%.
- Em abril de 2026, eletrificados leves emplacaram 38.516 unidades e atingiram 16,2% de participação, o maior patamar mensal já registrado, segundo a ABVE.
- Importados híbridos e PHEV passarão a pagar tarifa cheia de 35% de Imposto de Importação a partir de julho de 2026.
Por que 2026 é o ano-chave do Mover?
O programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) foi criado em dezembro de 2023 para substituir o Rota 2030, que se encerrava no fim daquele ano. A lógica é simples: a montadora ganha crédito tributário federal se cumprir metas progressivas de eficiência energética, descarbonização e reciclagem.
Em 2026, o teto de créditos disponíveis sobe para R$ 3,9 bilhões, conforme o desenho da lei relatado pela Câmara dos Deputados. A tabela completa do programa:
| Ano | Teto de créditos Mover |
|---|---|
| 2024 | R$ 3,5 bi |
| 2025 | R$ 3,8 bi |
| 2026 | R$ 3,9 bi |
| 2027 | R$ 4,0 bi |
| 2028 | R$ 4,1 bi |
A divisão dos créditos depende da pontuação obtida em três pilares: eficiência energética (peso 50%), emissões de poço à roda (peso 30%) e reciclagem/segurança veicular (peso 20%).
Como a Anfavea chega aos 450 mil eletrificados em 2026?
A Anfavea revisou para cima sua projeção anual, segundo o Diário do Transporte. A conta:
- Janeiro-abril 2026: 122.463 eletrificados emplacados.
- Média mensal: 30.615 unidades, suficiente para projetar 367 mil/ano se o ritmo permanecer.
- Considerando aceleração no segundo semestre (sazonal + chegada de novos modelos como BYD Sealion 7, GWM Haval H6 PHEV nacional e Stellantis Bio-Hybrid), a entidade trabalha com 400-450 mil.
A projeção pode ser conservadora. A própria ABVE admite que a marca simbólica de 300 mil eletrificados prevista no início de 2026 já vai ser superada com folga.
| Tecnologia | Abril 2026 | Abril 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| BEV | 17.488 | 4.702 | +272% |
| PHEV | 13.214 | 7.913 | +67% |
| HEV | 7.814 | 5.501 | +42% |
| Total | 38.516 | 18.116 | +113% |
Fonte: ABVE e Fenabrave, compilado por Brazil Economy.
Como fica a tarifa de importação dos eletrificados?
A retomada do Imposto de Importação foi parte do compromisso fiscal do Mover. O cronograma vigente, segundo o NeoFeed:
| Tipo de veículo | Tarifa atual (2026 H1) | Tarifa a partir de jul/2026 |
|---|---|---|
| BEV importado | 18% | 35% |
| PHEV importado | 25% | 35% |
| HEV importado | 30% | 35% |
A consequência é direta: importados perdem competitividade, o que acelera nacionalização de modelos como BYD Sealion 7 (Camaçari) e GWM Haval H6 (Iracemápolis). Para acompanhar, veja nossa cobertura sobre o varejo BYD em abril de 2026.
O que isso significa para o consumidor brasileiro?
- Preços importados sobem no segundo semestre. Quem planeja comprar Volvo EX30, Tesla Model Y ou BMW iX1 deve considerar o aumento de tarifa em julho.
- Produção nacional ganha protagonismo. Chery, BYD e GWM antecipam linhas locais; Stellantis aposta no Bio-Hybrid. Em 2027, é provável que mais de 60% dos eletrificados vendidos sejam fabricados no Brasil.
- Concorrência aumenta na faixa popular. Com Mover empurrando, modelos como Renault Kwid E-Tech, BYD Dolphin Mini e Chery iCar brigam diretamente por consumidores que antes só tinham combustão na faixa abaixo de R$ 150 mil.
FAQ
O Mover beneficia importadora ou só fabricante nacional?
A regra do Mover só dá crédito tributário a fabricantes com operação industrial no Brasil. Importadoras puras ficam de fora — daí o esforço de BYD, GWM e Stellantis em nacionalizar produção.
Quanto a Anfavea projeta de eletrificados em 2026?
A projeção atual fica entre 400 mil e 450 mil eletrificados leves (BEV + PHEV + HEV), conforme atualização de maio de 2026 da Anfavea.
Quando começa a tarifa cheia de 35% para PHEV importado?
A partir de julho de 2026 a alíquota sobe para 35% nos PHEV e híbridos importados, segundo o cronograma de transição do Mover.
O que muda no IPI dos eletrificados em 2026?
O IPI Verde mantém a alíquota reduzida para veículos eletrificados produzidos no Brasil que cumprirem as metas do Mover. Em geral, BEV nacional tem IPI próximo de zero; HEV flex tem alíquota reduzida; PHEV nacional fica entre os dois.
Fontes
Escrito por
Jhonathan Meireles
Cobertura editorial independente de carros elétricos e híbridos no Brasil — autonomia real, recarga, montadoras e custo total. Editor do Carros Elétricos Brasil.


